Vermillion, part 2

Estava especada no meio do quarto. O ar gélido pairava no ar. Nada à minha volta, no sentido de móveis ou decoração. Tinha simplesmente quatro paredes, pintadas de preto, que me separavam do mundo exterior. Tinha fechado a porta à chave, chave essa que tinha engolido. Com a porta trancada, estava eu ali especada, fixando o negro das paredes deixando que este me escurecesse a alma.
Senti um calor vindo de trás, acompanhado de um calafrio que me subiu pela espinha acima. Senti umas mãos tocarem-me nos ombros, acariciando-me o resto dos braços. O toque não me era desconhecido. Foi descendo cada vez mais baixo, pegando nos meus pulsos, largando-os outra vez para entrelaçar os seus dedos nos meus. Agarrou-os firmemente e e envolveu-me as ancas nos meus braços, juntamente com os dele. Poisou a cabeça em cima do meu ombro, beijando-me o pescoço, suavemente, com beijos tão gelados como o ar. Uma pele de galinha foi-se formando na minha pele. Largou as minhas mãos e deixou as dele subir pelo meu corpo acima, acariciando cada recanto da minha barriga, passando devagarinho pelos meus seios e parando no meu pescoço. Agarrou-o, aquecendo-me as cordas vocáis.
Começou a apertar, cada vez com mais força. Não disse nada. A minha cabeça começou a andar à roda, a respiração tornou-se díficil de se obter. Com a forma dos seus dedos agora empregnada no meu pescoço, fechei os olhos. Entrei num mundo que não conhecia. A minha alma começou a vaguear por debaixo do chão, o meu coração fora despedaçado em mil pedaços que se espalharam pelo espaço que me envolvia e os meus olhos permaneceram fechados. (...)

5 comments:

  1. one word: brutal

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  2. E depois pensamos "Como aconteceu? Foi tudo tão rápido!"

    Este teu post está lindíssimo e muito bem escrito, parecia que estava a ver tudo...

    Obrigada <3

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  3. Mas também é isso que dá uma certa piada e encanto ;)

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