patinagem de gelo

no principio, é tudo desconhecido. reabituo-me a patinar, tenho medo de avançar e de poisar, um atrás do outro, os patins em cima do gelo, porque quando não acreditamos em nos, é muito mais fácil perder o equilibro e de cair. enfim, começo sempre devagarinho, e vou-me habituando a estar em terreno escorregadio, mas mesmo assim apanho o jeito e começo a acelerar. acontece que as vezes ainda tenho aqueles pequenos sustos, em que parece que vou perder o equilíbrio, mas não caio, recomponho-me e volto a patinar. e depois de uma boa meia hora, já apanhei o jeito. tenho a sensação que nunca nada me fez sentir tão bem e sinto a necessidade de continuar a fazer aquilo até não poder mais, é como se já fizesse aquilo á anos, durante dias e dias a fio. sinto uma liberdade impressionante quando percorro aquele espaço naquela velocidade, enquanto o vento fresco me bate na cara. quando chega ao momento de ir embora, aproveito ainda os últimos minutos naquele ambiente fresco e acabo por me ir embora. e da próxima vez que la voltar, sei que vai ocorrer a mesma coisa. porque para mim, aquilo não é como andar de bicicleta, que não se esquece. eu mal volto a poisar os patins em cima do gelo escorregadio, noto logo a diferença e digo para mim própria "aqui vamos nos outra vez" e tento, de novo, sentir-me á vontade naquele território que tem o poder de me fazer sentir uma insegurança inexplicável. mas ás vezes, nem sequer isso consigo. ás vezes, a insegurança é tanta que nem depois de uma hora e meia, eu apanhei o jeito. e saiu de la desiludida comigo própria. e sabes que mais? tu para mim, és como andar de patins em cima de gelo: depois de tanto tempo continuas a ser, nada mais nada menos, um território que desconheço.

4 comments:

  1. e é agora este o que se assemelha àquilo que eu sinto.
    parece que sem importar quanto tempo passe, ou quão intensamente tentamos perceber, e conhecer esse território que nos faz sentir inseguras e felizes e protegidas ( tudo ao mesmo tempo), acabamos por nunca conseguir. dói e frustrante, ou me engano?
    beijinhos.

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  2. sempre que quiseres, é na boa. :)
    pois é, deixa aqui uma coisa por dentro, e sentimo-nos a caminhar sobre uma fina camada de gelo, e temos medo de que ela se quebre de repente.
    mas olha, só nos resta ser fortes, é cliché sim.. mas é mesmo assim. cabecinha em alto, sorriso nem que seja meio fingido, as coisas acabam por tomar o lugar delas.
    beijinhos.

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  3. e às vezes deve parecer que não tens isso tudo, mas acredito que tenhas.
    enfrentar as pessoas vai-te ajudar a libertar, a tirar de ti o que te magoa, vais-te sentir vulnerável mas vale a pena, porque sara.
    enche-te de coragem, como nunca antes, faz isso e diz-me como corre :) boa sorte!

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