Maybe it's just me.
2000 and gone.
January 17th
Too far away to care at all.
19
"Started not to give a fuck and stopped fearing the consequence."
Descarregamento mental.
The bleeding
Faltam partes do texto, just sayin'. (já não me lembro de quando o escrevi.)
Curiosity drives me
Lost trust: check.
Só mesmo porque me apeteceu.
by John Mayer
Oh, what the hell ...
Verdades difíceis de digerir.
Eu só acho triste termos de chegar a um ponto em que ao fim do dia chegamos a casa depois de um dia atribulado e apercebemos-nos de que as pessoas não são o que elas aparentam ser. Dizem que gostam de nós, que pensam em nós muitas vezes e afins mas a verdade é que são só babuzeiras, como dizem os brasileiros. Eu, sinceramente, gostava de dizer que acredito nas pessoas que me dizem isso, mas se elas me mostram o contrário, como é que eu posso acreditar nisso? Não posso, pois não? Elas não se fartam de me pedir desculpa, mas eu farto-me de as ouvir.
Eu posso estar super-ocupada, posso passar o dia inteiro fora de casa a fazer isto e aquilo mas encontro sempre um tempo, meros segundos, nos quais mando uma sms só para certificar de que relembro a certas pessoas que estou a pensar nelas. Então se eu tenho tempo de fazer isso, porque é que é tão difícil para certas pessoas fazer a mesma coisa?
Dizem que quando uma pessoa gosta de nós, encontra sempre tempo. E eu só digo uma coisa .. se não estão dispostos a dar-me o vosso tempo, então podem ficar com o resto porque o resto não me serve de nada sem o tempo que me deveria ser dado.
Será que não percebem que os pequenos detalhes são os que mais têm importância para nós? Será que não percebem que as mais pequenas atenções são as que mais marcam? E depois queixam-se de que não vos dizemos o que nos vai na mente ... Se calhar é porque, quando vos dizemos, vocês não aprendem. E até nós nos fartamos de repetir sempre a mesma coisa sem obtermos lucros.Há males que vêm por bem. E há males que simplesmente não trazem nada de bom com eles.
Chegou a casa, tinha acabado de trabalhar mais tarde e sentia-se exausta. Sabia que se tinha tornado no ganha-pão lá de casa e isso tinha-se tornado numa responsabilidade extra. Enfiou a chave na fechadura e abriu a porta da entrada. Estava tudo ás escuras. Poisou os sacos no chão e penetrou o apartamento, bateu com a porta.
"Faz pouco barulho!"
Uma voz rouca ouviu-se pela divisão inteira. Procurou o interruptor na escuridão e quando o encontro, carregou.
Lá estava ele, sentado no sofá, de pernas abertas, com uma garrafa de vodka, quase vazia, na mão direita e na esquerda segurava um cigarro. Tinha um cinzeiro à sua frente, mas as cinzas encontravam-se no chão. Olhou para ele com um olhar de desilusão.
"Não olhes para mim assim." Pediu-lhe, levando o cigarro à boca. Expirou u fumo e tossiu.
"Estás bonito, estás."
"Cala-te."
"O quê?"
"CALA-TE!" Gritou.
"Grita, vá! Grita para os vizinhos ouvirem, para eles verem no estado em que andas." Ralhou. Era o que tinha feito nos últimos tempo, ralhar com ele cada vez que chegava a casa e o encontrava naquele estado, sempre com uma nova garrafa na mão. Foi na sua direção para lhe tirar a garrafa, mas ele não deixou, moveu a mão e pôs-a fora do alcance dela.
"O que é que estás a fazer?!" Perguntou ele, já com a voz mais alterada.
"Vou-te tirar essa merda das mãos, não vês?"
"A única merda aqui és tu, sua cabra."
"Deixa-te dessas coisas e dá-me a garrafa." Pediu-lhe, abalada com o nome que ele tinha acabado de lhe chamar.
A raiva fez então com que ele se levantasse, já com dificuldades em manter o equilíbio. Deixou cair o cigarro no chão e bebeu mais um golo da garrafa, quase vazia.
"Quais coisas, pá? QUAIS COISAS?"
"Pensas que me metes medo, ao agires assim? Deves-te achar muito assustador."
"Vê lá como é que me falas .. Não me obriges a pôr-te as mãos outra vez em cima."
Passou por ela, batendo-lhe com o ombro do braço e foi para o quarto. Ela foi atrás dele.
"Mas tu pensas que vais para onde?!"
"Para a cama, estou cansado de te ouvir."
"Eu não vou dormir contigo assim!" Agarrou-lhe pelo braço.
"Larga-me, sua puta. Dorme no sofá, então!"
"PÁRA COM ISSO, ANDRÉ!" Suplicou-lhe, já com os olhos humidos.
Ele riu-se, empurrando-a.
"Agora choras. Pára de chorar, mulher. Só choras, tu. Não sabes fazer outra coisa. Estou feito contigo."
Levou a garrafa outra vez à boca, deixando-a desta vez vazia. Atirou-a ao chão.
"Que mais posso fazer? Já viste no estado que estás?"
"Eu estou bem, percebido? Tu é que pareces estar mal, por isos muda-te!"
Ela já com as lágrimas a escorrerem-lhe pela face, agarrou-se a ele.
"Por favor, faz-o por nós, pára de beber."
Deu-lhe um estalo.
"Já tu disse para te calares!"
As lágrimas caiam cada vez com mais facilidade. Estava farta de o ver naquele estado. Tinha-se tornado numa rotina autêntica, já não sabia o que era vê-lo sóbrio.
"Recompõe-te. Estou farto de te aturar."
Com passos instáveis, entrou no quarto e mal chegou à beira da cama, começou a ver tudo à roda. Ouviu-se um estrondo. Joana foi invadida pelo medo. Levantou-se o mais depressa que pôde e foi até ao quarto, deparando-se com a silhueta dele no chão. Baixou-se para sentir o pulso dele.
Nada.
Entrou em pânico. Procurou o telemóvel no bolso, com a intenção de chamar a ambulância. Quando o encontrou, parou durante uns segundos para pensar. Deixou-o no bolso. Olhou para o André imóvel que se encontrava no chão, inconsciente. Pouco depois, levantou-se, foi até à cozinha e tirou uma garrafa de vinho tinto.
Levou por sua vez a garrafa à boca e saboreo o doce sabor do vinho e o silêncio que reinava naquela casa.
